Às vezes me ponho a escrever
Sei lá sobre o que
As linhas vão avançando
E transcrevo tudo que estou pensando
De repente paro
Não consigo escrever mais nada
Vou à cozinha para tomar um copo d`água
Lá chegando vejo uma lagartixa
Que me prega um susto
Sem vergonha essa bicha!
Percebo então que mesmo quando penso
Que estou só, não estou sozinha
Essa pequena geladinha
Vem e quase me mata do coração
Assim como meus versos intensos,
Rasgados na emoção
Quando escrevo
Minha mente faz apenas uma parte
Ordena palavras, constrói rimas
Mas sou movida pela musculatura cardíaca
Que me faz assustar com a lagartixa
Me encantar com uma canção
Entrar em oração
Fazer as pazes com a solidão
Eu e eu mesma
Com meu caderno e minha caneta
Transformando minhas impressões em letras
E uma simples ida à cozinha
Rende mesmo uma história para contar
Graças à imaginação que voa
Aérea que é, muitas vezes destoa
Não dá coerência ao contexto
Mas não tem problema,
Arrumo qualquer pretexto
A mente humana é mesmo assim complexa
A mim basta a pretensão e um tema
E então está feito o poema
Sem normas, regras, métrica demais
Porque escrever muitas vezes
É o que me deixa em paz!
(Eve)
