Ao toque dos sinos

 

Ao toque dos sinos

 

 

Numa vida onde nada se passa

Olho o papel com os olhos do coração

Tudo o que pelo pensamento perpassa

Deixo escrito, mas nem todos me saberão.

As semanas se somam incessantemente

E eu marco passo

Na memória agasalho a esperança repetidamente

Retendo tudo que faço e não faço.

 

Todos os instantes

De encantos e desencantos

Apago meus sustos, deixo-os distantes!

Obrigo o destino a torcer

Às vezes me olho de soslaio

Lembro que parar é morrer

E nesse marasmo não caio.

 

Me surpreendo e me recuso

Fico com a nostalgia a rondar-me a alma

Exorcizo fantasmas, das forças abuso

Calo a tristeza e me fico, calma.

 

Calo a saudade que me invade

Me deixa cansada e de voz rouca

Pego na caneta com mão suave

Desdobro detalhes, que são coisa pouca.

Inspiro-me nas badaladas do sino

E torço, torço o destino.

 

(Autoria desconhecida)

 

 

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