A pureza

A pureza é uma conquista, e não uma “rendição”. Quem “se rende” a algo para atingir a pureza, está sempre a um passo de vacilar, porque esse “algo” veio de fora.
O estado interior de integridade não se encontra em nenhum outro lugar, não se adquire de nada nem pode ser concedida por ninguém.

Não adiantam as aparências ou artifícios, nem mesmo a ilusão da influência de alguma corrente espiritual coletiva. É uma construção solitária da coragem e jamais produto da covardia ou do temor. Temor à divindade é discurso vazio. A divindade não gosta da pequeneza, e sim privilegia a grandeza, que só existe na humildade.O temor à divindade, é, pois, uma contradição.
Muito pelo contrário, a pureza é completamente destemor. É o desapego do mal, é abrir mão dos pensamentos desalinhados, a falta de foco que para muitas pessoas de frágeis credulidades seriam demônios interiores, vagando espaço para a plenitude silenciosa.

Só o tempo e a experiência valem para desenvolver na gente essa técnica sutil de reformatação, otimização do sistema de pensamento, liberação do caminho para que aflore a gratidão, a cada pequeno milagre, o estado de graça que prepara o próximo milagre, e assim sucessivamente, compreendendo afinal o circulo-virtuoso que faz o universo prosperar.
A pureza só existe se germinar e brotar de dentro pra fora. Quando conquistada, é uma jóia preciosa a ser guardada com zelo, embora nunca a sete chaves.
Para o estado de pureza não existem tentações plausíveis, efetivas, só ilusórias, é como uma vacina inoculada em nosso sistema interior. Exposta aos 4 ventos, só se fortalece.
A pureza nega e destroça qualquer “anjo do mal”, passa a ser tão vasta que os “anjos do mal” se afundam e se perdem na vastidão da pureza, se dissolvem sem deixar traço. Zero de concentração da maldade, diluída em um fluido infinito da pureza.

A idade ajuda muito nessa depuração. Mas há pessoas para as quais a pureza vem cedo, e em algumas raras, privilegiadas, se manifesta espontânea, e elas conseguem atravessar a vida no estado original de pureza.

A maioria dos humanos precisa de uma doutrinação normativa, um treinamento dogmático imposto por uma escolha desesperada de “se corrigir” uma possível tendência para o pecado. Nas minhas limitadas e questionáveis experiência e opinião, chamo isso de fraqueza, comodismo, a opção por um “caminho mais fácil” : entregar a outrem o processo, terceirizar. Também é válido, na forma de uma “refocagem”, aliás, todos os caminhos são válidos, assim como todas as formulações da “divindade” são equivalentes e geram o mesmo resultado final, que seria o encontro, cara a cara, com o próprio estado de pureza de cada um.

(Guilherme Arantes)

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